ok FELIPE CAMARÃO  
 

O município de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, região Nordeste do Brasil, tem população de 712.317 habitantes (IBGE, 2000), e tem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,788 (ano de 2000). Porém segundo estudos desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão Estratégica da cidade do Natal, existe uma grande desigualdade, em termos de qualidade de vida, entre as regiões mais ricas e as mais pobres da cidade.

Esta constatação foi verificada a partir dos estudos desenvolvidos por esta Secretaria, que, para tanto, desenvolveu um Índice de Qualidade de Vida (IQV) com vistas a verificar esta condição nas diversas regiões e bairros da cidade e orientar as políticas públicas e sociais locais. Esse índice registra uma variação que vai de 1 (que corresponde ao maior nível de IQV) na região Leste da cidade (bairro de Petrópolis) e índices abaixo de 0,47 (IQV baixo) na região Oeste.
O bairro de Felipe Camarão possui os piores indicadores de qualidade de vida da cidade (IQV de 0,27), sendo o 3º pior índice do município assim como apresenta altos índices de violência material e simbólica, violência esta que se reflete também dentro do espaço escolar.

Os equipamentos de prestação de serviços sociais disponíveis são: escolas da rede pública, 05 de ensino fundamental e 01 de ensino médio; Centro de Saúde e Maternidade; Associação de Moradores; Clube de Mães; Igrejas; Clube Esportivo e Social; Programa de Saúde da Família e Programa de Agentes Comunitários de Saúde.
Os principais problemas sociais identificados no bairro estão, numa perspectiva estrutural relacionados com a pobreza, ao desemprego e falta de renda, onde mais da metade das crianças e adolescentes residentes no bairro vivem em famílias com renda inferior a meio salário mínimo.

A falta de ações capazes de dar respostas aos problemas sociais, particularmente de adolescentes e jovens, traz resultados bastante negativos para a qualidade de vida dessa população. Esta não se reconhece com possibilidades de mudanças. É notória a ausência do exercício da cidadania. As ações públicas existentes na comunidade não são suficientes para sanar as mazelas sociais que, com o inchaço populacional, se fazem cada vez mais presentes.

Em contraponto ao cenário adverso, marcado pela exclusão social, Felipe Camarão possui também uma grande riqueza e tradição cultural, como o Boi de Reis do Mestre Manoel Marinheiro, o João Redondo de Chico Daniel, vários tocadores de rabeca, alguns já na terceira geração de rabequeiros, inúmeros grupos de quadrilha junina e capoeira, que se organizam por todo o bairro. Encontramos justamente nesta tradição de organização social pela cultura e arte um grande potencial de enfrentamento dessa realidade adversa e das vulnerabilidades sociais a qual está exposta.

 
     
  ok O AUTO DE BOI DE REIS  
 
 

Um homem e boi imaginário

Um homem canta e encanta um boi. Um boi mágico, colorido e cintilante que rodopia no salão. A música remete ao passado, aos tempos antigos hoje. Dentro do boi, um outro homem.

faça aqui o download das músicas "Na chegada desta casa" e "Menino Jesus da lapa", do cd "Canta meu boi".

 
     
  ok MESTRE CHICO DANIEL  
 
  Nasceu em 1941, na cidade de Açú. Desde a infância esteve envolto na atmosfera dos bonecos, através do pai que manipulava fantoches percorrendo as fazendas do interior potiguar em apresentações. Até hoje, Mestre Chico Daniel, com sua mala empulhada, leva alegria com seu teatro de mamulengos por onde passa.
 
     
  ok MESTRE MANOEL MARINHEIRO  
 
  Nascido na cidade de Goianinha, e radicado no bairro de Felipe Camarão (Natal/RN), Mestre Manoel Marinheiro tocou nossas raízes, dedicando-se por mais de 50 anos ao auto do boi-de-reis, tradição que vem da Península Ibérica e que ganhou, há séculos, uma roupagem diferente, reunindo música, teatro e dança num mesmo espetáculo. Morreu em 2004, deixando em seu legado, a riqueza da cultura popular.

Os cantos e bailados do Boi-de-Reis são encenados por um elenco com 17 componentes: o Mestre, a burrinha, os vaqueiros Mateus e Berico, Caterina, os galantes e as damas, as figuras, o boi, o bode, o gingante, o Jaraguá e o cão.

 
     
  ok MESTRE CÍCERO DA RABECA  
 
  O mestre Cícero acompanha, com sua rabeca, Auto do Bois de Reis do mestre Manoel Marinheiro há trinta anos. Ele vem de uma família de músicos. Aprendeu a tocar com o pai, aos nove anos de idade, este "violino dos homens do povo do Brasil." É representante genuíno da cultura potiguar.
 
     
 
   
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